Tudo nasce de um desafio. Desafio esse que é movido por um desejo, uma vontade. E como é natural que as coisas que nascem cresçam, o desejo por sua vez cresce; e vem trazendo consigo um emaranhado de agregados; agregados estes que vão dando a ele uma característica única, singular, que o dão identidade, tal qual badulaques embelezantes. O desejo vem seguindo sua trajetória, conhecendo lugares, faceando descobertas, e vai coletando e guardando em seu alforje tudo aquilo que entende que lhe fará crescer. O desejo se matura e desenvolve a habilidade de julgar. As vezes julga errado, o que é algo muito natural. Mas se julga certo, não perde tempo e faz uso, enrijece-se, fica belo, pomposo, formoso, e, inevitavelmente passa a ser percebido, notado. E como é natural, passa também a ser julgado, a ser rotulado, e ate subjugado. O desejo treme na base, tenta se esconder, desviar os olhares de si. O desejo se encasula; mas como não pode frear seu próprio crescimento, o desejo inevitavelmente rompe as amarras e convence-se de si; a esse ponto já não há quem possa pará-lo. E ele já não quer ser parado, quer ganhar o mundo, quer ir de encontro àquilo que o põe à prova. E vai. E é ai que o desejo entende que já não se basta sozinho, que, simplesmente, não dá. Não dá pra agüentar o tranco; e o desejo procura por outro que se assemelhe a ele. E como é muito natural que coisas que nascem e crescem se reproduzam, surge do desejo algo novo: um sentimento. E como é natural que recém-nascidos não tragam de pronto características que os referenciam, assim o sentimento se sente, meio que perdido, sem identidade, sem saber o que de fato é. Mas como é muito natural, com o tempo ele se descobrirá, e alcançará o que é esperado dele: que se defina como algo vestido de autenticidade e cheio de anticorpos que o farão perdurar.
terça-feira, 9 de março de 2010
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